1 de abril – Confi(n)ar: a “flor de lótus”

1 de abril, onze dias depois de uma pausa na minha escrita… … tenho oportunidade de partilhar com os  seguidores e/ou leitores do meu blogue o que refleti sobre as minhas aprendizagens durante o segundo confinamento (período de encerramento das atividades letivas presenciais) e sobre o funcionamento do Ensino à Distância com alunos de sete/oito anos, depois de um retomar do ensino presencial e…depois de mais um processo avaliativo.

Mas afinal aprendi ou não?

Circunscrevo-me à minha apreciação avaliativa pois cada docente (dependente do seu público) terá a sua perspetiva consoante a sua experiência de vida profissional e, também, deverei dizer que a resposta apresenta-se complexa.

Aprendi!

(Re)Aprendi:

  • sobre a importância extraordinária da Escola no funcionamento da sociedade. A escola é um pequeno “motor” pois quase tudo o funciona à sua volta. A escola é importantíssima. Mesmo que alguns tentem por todos os meios possíveis roubar-lhe protagonismo, desvalorizar a sua importância, desmerecer o trabalho dos que nela estão envolvidos diariamente.
  • que o contexto familiar é fundamental numa comparando-o com o contexto material,
  • que teria de investir ao nível da minha formação no âmbito das novas tecnologias da educação pois precisava de “cativar” o meu público, “nómadas digitais”, com pouca autonomia, dependentes de pais e/ou familiares, ávidos de comunicação e de uma relação pedagógica com afeto;
  • neste segundo confinamento, aprendi, sobretudo, como professora com 34 anos de serviço, com um percurso formativo construído com “inteligência emocional”, que os nossos métodos de planificação são burocratizados, centralizados e ineficazes. Estão distantes das exigências que se nos apresentam.
  • que continua a haver pouca partilha (que se deseja reflexiva) em torno das melhores práticas educativas para este contexto. Apesar dos múltiplos webbinars e das formações que surgiram em catapulta para uma efetivação da dita “revolução digital “na escola portuguesa que não sonhava com o regresso do “Adamastor”!
  • muito sobre os meus alunos, sobre cada um deles, sobre as suas vidas familiares, as suas expetativas, os seus sonhos….
  • que precisam mais de nós professores do que admitimos todos, mas não pelas aprendizagens enumeradas nos programas. Somos nós, os adultos, dedicados a proporcionar a (re)visão crítica sobre este mundo em constante mutação. Somos nós, os adultos que mais aprendem com eles. Eu aprendi(o) muito com os meus alunos!
  • que este E@D promove a diferenciação pois o isolamento retira a pressão sobre a normalização dos processos; permitindo uma maior privacidade e um trabalho específico. Os meus alunos cresceram na sua autonomia… fazem muito mais sozinhos…e a fazerem melhor, contudo, no outro “lado da moeda”, houve (há) alunos que se alienaram do processo, revelando “problemas de vida” que antes estavam ocultos.
  • este momento como uma experiência social na educação.
  • que não há nada que não se recupere na aprendizagem, com “todo o tempo do mundo” e muita afetividade na relação pedagógica. Não há necessidade de ir a correr atrás de um qualquer prejuízo, como se o mundo acabasse se nem todas as crianças, num determinado aniversário, não soubessem um determinado número de coisas.
  • que constato a minha défice preparação para o tempo em que vivemos; mas, tenho a certeza que estarei sempre pouco preparada para o tempo em que vivemos, e por isso, é fundamental não “baixar os braços” e continuar o meu processo formativo pois só a aprendizagem permite-nos a sustentabilidade dos processos de transformação e de mudança (efetiva) fundamentais para construir uma “Escola” democrática e mais humanista que todos nós desejamos que seja.

 

Observação: A escolha das imagens “flor de lótus” para ilustrar a minha reflexão deve-se ao seu simbolismo.  Podemos inspirar-nos nesta flor para aprender a sermos resilientes, a capacidade de nos reinventarmos e renascermos a cada dia que passa, apesar das vicissitudes da vida. Saber(mos) erguer acima das “águas turvas” criadas pela pandemia para irradiar fé, determinação, otimismo na superação das adversidades.

 

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