«Metáfora: o corpo carrega sempre duas caixas. Numa mão uma caixa de ferramentas. Na outra mão, uma caixa de brinquedos. Essas duas caixas definem os objectivos da educação.
Caixa de ferramentas: nela se encontram os objectos necessários para compreender e inventar. Úteis, indispensáveis à sobrevivência. Na caixa de ferramentas se encontram guardadas desde coisas concretas, como fogo, redes, facas, machados, hortas, bicicletas, computadores, até coisas abstratctas, como palavras, operações matemáticas, teorias científicas.
Caixa de brinquedos: nela se encontram objectos inúteis que, sendo inúteis, são usados pelo prazer e pela alegria que produzem: música, literatura, pintura, dança, brinquedos, jardins, instrumentos musicais, poemas, livros, culinária…
Com a caixa de ferramentas e a caixa de brinquedos, os seres humanos não só sobrevivem mas sobrevivem com alegria. A caixa de ferramentas, sozinha, produz poder sem alegria. Vida forte mas vida boba, sem sentido. Os seres humanos ficam embrutecidos. O conhecimento sozinho é embrutecedor. A caixa de brinquedos, sozinha, está cheia de prazeres e alegrias. Mas os prazeres e alegrias, sozinhos, são fracos. E a vida, sem poder, é vida fraca, incapaz de responder aos desafios práticos da sobrevivência. E vem a morte. Sábio é aquele que possui as duas caixas … O homem sábio planta nas hortas coisas boas para comer e viver e planta nos jardins coisas boas de se ver, cheirar, degustar…
Tarefa do Educador: ajudar os discípulos a construir suas caixas de ferramentas e suas caixas de brinquedos… Pergunto se as escolas fazem isso. Talvez seja necessário ver, pensar e inventar uma escola diferente… Esse é o meu sonho! »
Rubem Alves
Emília Silva – 2014/2015
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